Sexo? Identidade de gênero? Orientação sexual? Qual é a sua?

A diferença entre sexo, identidade de gênero e orientação sexual

O humanismo trouxe diferentes formas de enxergar o ser humano.

As essências passaram a ser mais valorizadas e o ser humano virou objeto de pesquisa na busca pelo autoconhecimento. Sexo, gênero e orientação sexual fizeram mais sentido nesse contexto de identidade cultural e condição humana.


Mas foi só com o movimento de liberdade sexual, iniciado no século XX, que as mulheres passaram a ter direitos sobre o próprio corpo, como se descobrir física e mentalmente.

Novas naturezas passaram a ser discutidas, como a homossexualidade, a bissexualidade e a transexualidade. E, apesar de existir um movimento pela aceitação, ainda é necessário muito debate e esclarecimento.

Sexo é diferente de identidade de gênero, que diverge da noção de orientação sexual. Não devem ser usados como sinônimos e devem ser entendidos em sua complexidade e singularidade na formação de cada ser humano. Por esse motivo, o blog da Florence explica os conceitos de sexo, identidade de gênero e orientação sexual:

Sexo

Em traços simples, o sexo biológico de um ser humano é definido pela combinação dos seus cromossomos com a sua genitália. Em um primeiro momento, isso infere se você nasceu macho, fêmea ou intersexual. No caso dos intersexuais, a mudança se caracteriza pela indeterminação do sexo biológico, se pensado no binarismo “macho” e “fêmea”.

A intersexualidade pode se manifestar de formas diferentes, seja por conta de as gônadas apresentarem características intermediárias entre os dois sexos, ou o aparelho genital não condizer com o tipo cromossômico.

Identidade de gênero

 

As últimas discussões no parlamento, que suplantaram as referências ao gênero nas escolas, mostraram a falta de preparo e conhecimento dos políticos no debate sobre o assunto. Constantemente, essas pessoas não sabiam diferenciar suas referências à identidade sexual, orientação sexual e gênero. Principalmente, não acreditam na existência de categorias de gênero.

Pensadoras como Simone de Beauvoir e Luce Irigaray teorizaram o papel e a figura da mulher na sociedade. Com isso, abriram portas para novas discussões sobre gênero – discussões essas que continuam exaltadas, dando um caráter indefinido para o conceito de gênero.

No cerne das teorias feministas e da teoria Queer, atualmente, o gênero é tido como categorias que são historicamente, socialmente e culturalmente construídos, e são assumidos individualmente através de papeis, gostos, costumes, comportamentos e representações. Judith Butler, pensadora sobre o assunto, ressalta que o gênero precisa ser assumido pela pessoa, mas isso não acontece num processo de escolha, e sim de construção e de disputas de poder, porque, afinal, o sistema de gêneros é hierárquico e conta com relações de poder.

As identidades de gênero abrangem a complexidade humana e, como Butler propõe, devem fugir do binarismo “homem” e “mulher”. Existem pessoas com mais de um gênero, as transgêneros, as com gênero fluído, com as drag queens, e o genderqueer, que abre a perspectivas para novas formas de ser.

Orientação sexual

A orientação sexual, e não opção sexual, diz respeito à inclinação da pessoa no sentido afetivo, amoroso e sexual. Ou seja, ela sente atração por qual gênero/sexo? Confira algumas orientações sexuais abaixo e lembre-se: todo ser humano merece nada menos do que respeito.

  • Homossexuais: é a atração afetiva e sexual por pessoas do mesmo gênero/sexo. As lésbicas, nesse contexto, são mulheres que gostam de mulheres, e os gays são homens que gostam de homens, também sendo o termo usado para mulheres.
  • Heterossexuais: é a atração afetiva e sexual por pessoas do gênero/sexo oposto.
  • Bissexuais: seria a atração afetiva e sexual por qualquer pessoa do binarismo de gênero: “homens” ou “mulheres”.
  • Assexuais: a assexualidade diz respeito às pessoas que não sentem atração por nenhum gênero. Mas vale ressaltar que ainda é uma “sexualidade” em construção.
  • Pansexuais: é a atração afetiva ou sexual que não depende de gênero ou sexo.

7 dúvidas sobre identidade de gênero

Existe diferença entre transexual e travesti? O que é identidade de gênero? Uma pessoa que nasceu homem pode ser mulher? Essas e outras dúvidas vêm à tona quando falamos sobre diversidade sexual. Por isso, questionamos Edith Modesto, que é terapeuta, escritora e especialista em diversidade sexual e questões de gênero. Em 1999 ela fundou o Grupo de Pais Homossexuais (GPH) que atualmente é formado por mais de 200 brasileiros. Veja as respostas:

1. O que define exatamente a transexualidade?

O “ser mulher”, com um corpo de homem; um “ser homem” com um corpo de mulher. Nesses casos, há um processo de mudança física possível que dependerá da vontade de cada transexual.

2. Dentro da diversidade sexual, são muitos os termos que encontramos? Quais são eles e o que significam?

  • Heterossexuais: se sentem atraídos sexual e/ou afetivamente por pessoas do gênero contrário ao seu.
  • Homossexuais: se sentem atraídos sexual e/ou afetivamente por pessoas do gênero idêntico ao seu.
  • Bissexuais: podem se sentirem atraídos por pessoas do gênero masculino, ou do gênero feminino.
  • Assexuais: não se sentem atraídos sexualmente por ninguém.

Em relação aos gradientes de gênero, temos muitos termos: cross-dresser, drag queen, drag king; andróginos, trans não binários etc.

3. Qual a diferença entre uma travesti e uma transexual?

Antigamente, a travesti era conhecida como uma pessoa que se sentia homem e mulher ao mesmo tempo. Por isso, não queria fazer a operação. Hoje, a diferença é social e política. Sabemos que há gradientes (graus) de masculinidade e feminilidade (gêneros) não atrelados completamente ao biológico. Quando a pessoa se sente uma mulher em um corpo de homem e é de classe econômica e social mais simples, ela é denominada travesti. Geralmente, essas pessoas não têm nenhuma oportunidade na vida e se tornam profissionais do sexo para sobreviverem. Quando a pessoa com essa questão de gênero pertence a uma classe social e econômica mais alta, ela é denominada transexual. Quem não tem essa questão é denominada cissexual.

4. As pessoas confundem, às vezes, identidade de gênero com orientação sexual. Você pode explicar qual é a diferença?

Na “orientação” ou “condição” sexual, a pessoa é hétero, bi, homossexual ou assexual. Identidade de gênero refere-se ao gênero com o qual a pessoa se identifica: saber-se masculino(a) ou feminina (o) e em que graus. Essa condição pode mudar no decorrer da vida.

5. Conversamos com a Renata e com a Thais. As duas optaram por não fazer a cirurgia de readequação sexual. A Renata se diz mulher enquanto que a Thaís afirma ser transexual (por não nascer com as condições biológicas femininas). Como funcionam esses termos?

De modo geral, a pessoa transexual é aquela cujo corpo (do ponto de vista biológico) possui características masculinas e se sente do gênero feminino, ou possui características biológicas femininas e se sente um homem. O motivo pelo qual Thais não se diz “mulher” (porque não nasceu com características físicas femininas) é eminentemente político. Ela é uma militante que usa esse recurso na luta para que a transexualidade seja aceita como uma categoria e as pessoas transexuais “existam”.

6. Qual a principal (ou principais) dúvida em relação à diversidade sexual que chega até você no dia a dia?

A diversidade sexual continua a ser avaliada muito negativamente. Portanto, continua a dificuldade de autoaceitação pelos jovens da homo ou bissexualidade e a dificuldade de aceitação desses filhos diferentes por seus pais.

7. Como você acha que o Brasil (tanto governo como sociedade) tem lidado com a diversidade sexual?

Da parte do governo, muito mal, pois políticos brasileiros, sendo o Brasil um país laico pela constituição, fez parcerias com religiosos fundamentalistas. A sociedade parece estar tentando se defender contra isso, pois o assunto está a cada dia mais presente nas mídias.

 

Leia Mais

Fonte: Livraria Florence e Superinteressante.

Share

Tags: , , , , , , , , ,