Toxina Botulínica

Há aproximadamente 10 anos, a toxina botulínica tipo A começou a ser amplamente utilizada para amenizar rugas e promover o rejuvenescimento facial. De acordo, com Dr. Ricardo Limongi Fernandes, especialista pela Universidade Federal de São Paulo/Escola Paulista de Medicina e responsável pelo serviço de cosmiatria/dermatologia do Instituto de Cirurgia Plástica Santa Cruz (ICPSC) em São Paulo/SP, o uso desta proteína é bastante seguro e recomendado. Além disso, durante os últimos anos, os objetivos do tratamento mudaram, dando ênfase aos aspectos tridimensionais do envelhecimento facial, priorizando o balanço e a harmonia facial, respeitando-se aspectos culturais, étnicos e relacionados ao gênero do paciente na hora de realização do procedimento.

Na entrevista abaixo, o especialista fala sobre a origem, os benefícios e as indicações de uso da toxina botulínica em tratamentos estéticos e também traz esclarecimentos a respeito dos diferencias do produto fabricado na China, que usa gelatina bovina para oferecer maior estabilidade à estrutura química da toxina botulínica. Confira!

A toxina botulínica é produzida por várias cepas de Clostridium botulinum. O que é uma cepa? 

Cepa é uma linhagem de bactérias que, apesar de manter as características básicas da espécie, apresenta propriedades exclusivas, como, por exemplo, produzir um determinado tipo de toxina. Cepas diferentes podem produzir toxinas com características diferentes. São conhecidos oito tipos de toxinas botulínicas, sendo “A” e “B” as que estão disponíveis para uso médico. A diversidade de cepas decorre de mutações genéticas, espontâneas ou induzidas.

As toxinas botulínicas disponíveis para uso médico são as cepas A e B. Qual a diferença clínica entre os dois tipos? Por que a do Tipo A é mais eficaz?

A diferença básica entre as toxinas A e B é a potência. Como a A é mais potente que a B, leva a resultados clínicos mais intensos e duradouros e, por isso, é considerada “padrão ouro” para as mais diversas indicações terapêuticas. A toxina botulínica tipo B seria uma alternativa para aqueles raros casos de resistência à toxina tipo A por produção de anticorpos.

Além do uso estético, quais outras aplicações podem ser realizadas com a toxina?

Existe uma infinidade de indicações terapêuticas da toxina botulínica, como a hiperidrose (sudorese excessiva) axilar e palmo-plantar, tratamento da neuralgia pós-herpética (sequela dolorosa do Herpes Zoster) e dor crônica em geral, estrabismo, blefaroespasmo (contração involuntária da musculatura palpebral) e hemiespasmo facial, distonia oromandibular ou cervical (contração involuntária da musculatura oromandibular ou cervical), síndrome do escrivão (contração involuntária de musculatura do membro superior à escrita), paralisia cerebral espástica, hiperatividade do detrusor, enxaqueca, bruxismo, hipersalivação e, até, tratamento da obesidade.





Quais os fatores que explicam o crescimento do uso da toxina botulínica no mercado estético brasileiro e mundial?

Satisfação dos pacientes, garantia e segurança dos resultados obtidos, duração, eficácia, facilidade de uso e suporte dos fabricantes são fatores fundamentais para o sucesso de qualquer produto. A aplicação da toxina botulínica, além de tudo, é pouco dolorosa e vem ao encontro das necessidades crescentes de tratamentos estéticos minimamente invasivos e com reintegração imediata à vida cotidiana.

Quais os principais aprendizados no uso da toxina para fins estéticos desde o seu surgimento (quantidade aplicada, locais, tipos de rugas que são mais indicadas, locais que não devem ser aplicados etc)

Até os anos 90, o conceito de rejuvenescimento era baseado simplesmente na ausência de linhas, na região das sobrancelhas, na fronte e nos cantos dos olhos (pés de galinha). Entretanto, muitos protocolos de aplicação de toxina botulínica conduziam a uma certa perda de expressão facial, queda do supercílio ou rugas residuais. Hoje, utilizamos doses menores em algumas áreas, com o objetivo de uma expressão menos “congelada”, utilizamos a toxina em múltiplas áreas, não somente no terço superior da face e, além disso, indicamos o procedimento mais precocemente para evitar a consolidação das rugas.

Quais os cuidados na hora de aplicação? Como o dermatologista obtém resultados mais atuais?

A aplicação deve ser feita por médico experiente, com grande conhecimento de anatomia de superfície e senso estético apurado. Durante a última década, os objetivos dos tratamentos com toxina botulínica têm mudado. Tem-se dado ênfase aos aspectos tridimensionais do envelhecimento facial, priorizando o balanço e a harmonia facial, respeitando-se aspectos culturais, étnicos e relacionados ao gênero (homem ou mulher). Os resultados mais atuais podem exigir a associação com outros procedimentos, como preenchimentos, luz intensa pulsada, luz infravermelha, laser, pelings e tratamentos tópicos.

 












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